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Tópico: Restauração - Principais Fases  
gentleman
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 Postado em 11/7/2006 10:24:00  

Caros Colegas:

Estive verificando o tópico sobre restaurações em andamento no fórum e fiquei bastante impressionado com os resultados finais de algumas peças.
Gostaria então de perguntar aos amigos foristas, como devemos orientar nosso relojoeiro de confiança nos procedimentos/fases de restauração de um relógio?

Ex.
1º Passo) Mecanismo;
2º Passo) Mostrador;
3º Passo) etc ...

Aguardo as dicas dos "experts" em restaurações.

Abs a todos,

Gentleman

   
Lobo
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 Postado em 12/7/2006 00:33:00  

Meu amigo, se o seu relojoeiro precisa destas orientações... mude URGENTE de relojoeiro!
[]s, Lobo.

   
Denis
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 Postado em 12/7/2006 10:48:00  

Prezado Lobo, vc tem toda a razão mas acho que a preocupação de nosso amigo Gentleman faz sentido nos dias de hoje, encontrar bons profissionais numa determinada área nem sempre é tarefa fácil, então qualquer recomendação adicional é sempre bem vinda, vide os diversos relatos em relação à Sarica, que é quase unânime que fazem um excelente trabalho quando o cliente exige e insiste em ter um serviço de qualidade.Não deveria ser assim mas......

Gentleman, particularmente evito a aquisição de relógios que necessitem de algum tipo de restauro mas isso é particular de minha pessoa, acho que restaurar não significa estritamente refazer, portanto, aconselho buscar o máximo de informação a respeito da peça que se deseja restaurar, fotos também são bem vindas e por último sempre que possível empregar peças ou partes originais, procure acompanhar pessoalmente o processo de execução o maior número de etapas possível, pode ser tachado como chato mas o profissional gostando ou não irá fazer um bom trabalho.Ao final do processo certifique-se que está tudo em ordem comparando com as informações e fotos que vc coletou.

Abraços,

Denis.

   
Alberto Ferreira
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 Postado em 12/7/2006 12:31:00  

Salve!

Eu não sei se é bem disso que os amigos estão falando.
Mas,...

Na minha opinião, há dois tipos de "restauração".

No primeiro caso, que talvez na verdade nem devesse chamar assim, falamos de um relógio (geralmente, "comum", atual, etc...) que, digamos, foi comprado barato (ou achamos em uma gaveta, ganhamos, etc...) e pensamos que seria uma boa idéia recuperá-lo (pô-lo de volta em uso) por um custo razoável. Ou, em outras palavras, um "bom negócio".

Excetuando os casos em que o relógio tenha algum tipo de apelo especial (principalmente afetivo) que o faria passar para a categoria seguinte, em geral temos que tomar muito cuidado, pois é bem fácil "colocar dinheiro bom encima de dinheiro ruim".
E o molho nos vir a sair mais caro do que o peixe.
Então, nestes casos, a orientação é simples. Pense bem em quanto vai gastar.
As chances de não ficar satisfeito com o retorno do "negócio" são razoavelmente grandes.

No segundo caso, mais uma vez eu ressalto que na minha opinião, estariam os relógios que por qualquer motivo não financeiro decidimos restaurar.
Eu não vou entrar no mérito das possíveis razões, certamente cada um terá (ou não) as suas.
Mas enfatizo um ponto. O nome do jogo aqui é "satisfação pessoal", não necessariamente financeira.

Bem,...
Aí temos que tomar uma decisão inicial básica.
O que pretendemos com a tal "restauração"?

- Tentaremos fazer o relógio voltar a um estado o mais próximo possível da sua condição de novo? Vamos, portanto, tentar apagar ao máximo os sinais da idade e do uso.

- Apenas interferiremos nos pontos que, por estética ou funcionalidade, já estão prejudicando a sua utilização? Portanto, fazendo exatamente o contrário do caso anterior, preservando os indícios (se aceitáveis) de uso e da vida da peça.

É neste contexto que eu vejo a questão levantada pelo Gentleman.
E se não houver uma orientação adequada, seja do relojoeiro ou do próprio dono, com relação a exatamente o que ele está preparado para fazer e esperar como resultado, as decepções virão. Mesmo!


As decisões serão, portanto, totalmente pessoais.

Mas as minhas dicas seriam.

Movimentos:
Informe-se. Veja (antes) o custo das peças e a eventual dificuldade de consegui-las, agora e no futuro.

Caixas:
Não refaça o acabamento com plaquê "meia boca", infelizmente quase todos os banhos "novos" são assim. Um plaquê refeito jamais será igual ao original.
Cuidado com os polimentos. Se quem o fizer não "souber das coisas", fatalmente deixará a sua assinatura. Do tipo, "este é um relógio que tinha uma linha, mas foi polido..."

Ponteiros:
Este é, talvez, o ponto mais fácil. Podem ser limpos, polidos, pintados, etc...

Acrílicos e vidros:
Cuidado com o perfil, altura, etc... Trocá-los pode parecer coisa simples mas, se não forem os adequados, descaracterizam totalmente a peça.

Mostradores:
Aqui é que a coisa pega. São a verdadeira "cara" do relógio.
Lembrem dos critérios de manter ou não as (já virou chavão nos ML´s da vida) "marcas do tempo".
Mas, se decidirem assim, cuidado para não fazer uma plástica no rosto de uma senhora de 91 anos, deixando-o com um aspecto de 19!...

Abraços!

Alberto Ferreira
   
gentleman
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 Postado em 12/7/2006 17:08:00  

Caros Colegas:

Obrigado pelas opiniões.
Realmente conforme disse nosso amigo Alberto, por mais competente que o relojoeiro seja, vc tem que dizer exatamente o que quer que seja feito.
Para daí ouvirmos a resposta do profissional: dá ou não dá, posso ou não posso (ou também não quero) fazer.
p/s - E principalmente, quanto vai custar o serviço no final.

Abs a todos,

Gentleman

Mensagem original postada por Alberto Ferreira Salve!

Eu não sei se é bem disso que os amigos estão falando.
Mas,...

Na minha opinião, há dois tipos de "restauração".

No primeiro caso, que talvez na verdade nem devesse chamar assim, falamos de um relógio (geralmente, "comum", atual, etc...) que, digamos, foi comprado barato (ou achamos em uma gaveta, ganhamos, etc...) e pensamos que seria uma boa idéia recuperá-lo (pô-lo de volta em uso) por um custo razoável. Ou, em outras palavras, um "bom negócio".

Excetuando os casos em que o relógio tenha algum tipo de apelo especial (principalmente afetivo) que o faria passar para a categoria seguinte, em geral temos que tomar muito cuidado, pois é bem fácil "colocar dinheiro bom encima de dinheiro ruim".
E o molho nos vir a sair mais caro do que o peixe.
Então, nestes casos, a orientação é simples. Pense bem em quanto vai gastar.
As chances de não ficar satisfeito com o retorno do "negócio" são razoavelmente grandes.

No segundo caso, mais uma vez eu ressalto que na minha opinião, estariam os relógios que por qualquer motivo não financeiro decidimos restaurar.
Eu não vou entrar no mérito das possíveis razões, certamente cada um terá (ou não) as suas.
Mas enfatizo um ponto. O nome do jogo aqui é "satisfação pessoal", não necessariamente financeira.

Bem,...
Aí temos que tomar uma decisão inicial básica.
O que pretendemos com a tal "restauração"?

- Tentaremos fazer o relógio voltar a um estado o mais próximo possível da sua condição de novo? Vamos, portanto, tentar apagar ao máximo os sinais da idade e do uso.

- Apenas interferiremos nos pontos que, por estética ou funcionalidade, já estão prejudicando a sua utilização? Portanto, fazendo exatamente o contrário do caso anterior, preservando os indícios (se aceitáveis) de uso e da vida da peça.

É neste contexto que eu vejo a questão levantada pelo Gentleman.
E se não houver uma orientação adequada, seja do relojoeiro ou do próprio dono, com relação a exatamente o que ele está preparado para fazer e esperar como resultado, as decepções virão. Mesmo!


As decisões serão, portanto, totalmente pessoais.

Mas as minhas dicas seriam.

Movimentos:
Informe-se. Veja (antes) o custo das peças e a eventual dificuldade de consegui-las, agora e no futuro.

Caixas:
Não refaça o acabamento com plaquê "meia boca", infelizmente quase todos os banhos "novos" são assim. Um plaquê refeito jamais será igual ao original.
Cuidado com os polimentos. Se quem o fizer não "souber das coisas", fatalmente deixará a sua assinatura. Do tipo, "este é um relógio que tinha uma linha, mas foi polido..."

Ponteiros:
Este é, talvez, o ponto mais fácil. Podem ser limpos, polidos, pintados, etc...

Acrílicos e vidros:
Cuidado com o perfil, altura, etc... Trocá-los pode parecer coisa simples mas, se não forem os adequados, descaracterizam totalmente a peça.

Mostradores:
Aqui é que a coisa pega. São a verdadeira "cara" do relógio.
Lembrem dos critérios de manter ou não as (já virou chavão nos ML´s da vida) "marcas do tempo".
Mas, se decidirem assim, cuidado para não fazer uma plástica no rosto de uma senhora de 91 anos, deixando-o com um aspecto de 19!...

Abraços!


   
Adriano
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 Postado em 12/7/2006 20:44:00  

Com a dissertação do Alberto, creio que não tenho nada a acresentar. Aponto especial atenção à última fase, sobre a analogia com a senhora.

Abraços!

Adriano


Once is an accident. Twice is coincidence. Three times is an enemy action.
   
Guilherme
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 Postado em 12/7/2006 22:46:00  

É isso aí Alberto.

Eu gostaria de acrescentar uma opinião. Vejo que os relógios vintage de valor "colecionável" são os que exigem um maior cuidado com sua originalidade. Caso contrário, ele poderá perder, e muito o seu valor. Mas, tudo é uma questão de gosto pessoal.

Por exemplo: Hoje fui à Sarica para pegar 3 mostradores reformados: Um Mido Powerwind, um Enicar e um Bulova Selfwind. Todos ficaram muito bons e de acordo com o que pedi (depois posto a foto deles após montados). Agora, se fosse um mostrador de Seiko 6138, ou de um cronógrafo vintage, por exemplo, eu nunca reformaria. Se estiver muito ruim, deixo como está até aparecer um outro em melhores condições.

Abraço,
Guilherme.

   
Lobo
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 Postado em 12/7/2006 23:16:00  

Mensagem original postada por Lobo Meu amigo, se o seu relojoeiro precisa destas orientações... mude URGENTE de relojoeiro!
[]s, Lobo.


Desculpem, eu ratifico o que disse anteriormente. Apenas acrescento que dizer ao relojoeiro o que se espera é fundamental. P. ex.: polir ou não a caixa, restaurar ou não o mostrador, etc...Aliás quando estas questões não ficam claras pode-se observar um resultado que corresponderá ao que a média das pessoas esperam, o que poderá ser o oposto do que vc esperava. Mas se vc tem o mesmo bom e "velho" relojoeiro há anos ele saberá quais são, em linhas gerais ( pelo menos ), as suas preferências. O meu sabe que: se não estiver ao alcance um vidro Omega assinado novo nem pensar em substituir o velho; se polir a caixa do relógio sem autorização prévia irei matá-lo lenta e dolorosamente; que ( p/ mim ) mostrador reformado só serve para pôr no lixo, mas ponteiros admito-os bem; que limpeza parcial ( dita limpeza porca ) só no bumbum dele; etc, etc, etc...
[]s, Lobo.

   
Gravina
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 Postado em 12/7/2006 23:23:00  

Estou com o Alberto e com o Lobo, e não abro.........

Mais vale um relógio funcionando na mão, que dois consertando!!!
   
gentleman
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 Postado em 13/7/2006 14:59:00  

Caros Colegas:

Obrigado pelos comentários como sempre, bastante instrutivos.
Só gostaria de expor minha opinião pessoal aos amigos foristas.
Sou também admirador de automóveis antigos.
Já fui varias vezes ao Veteran Car Clube de minha cidade para apreciar os modelos lá expostos. Os veículos de lá aparentam ter saído da concessionária a pouco, e não deixam nada a dever para um carro novo, apesar de serem totalmente recuperados (originais). Não tem nada mais lindo do que um mercury ou um buick desfilando pela cidade como se fosse um zero km!
Da mesma forma, tratando-se de relógios no meu ponto de vista, sou totalmente a favor da reforma, pois (para mim) não tem porque andar com um relógio enferrujado no pulso só para dizer que ele é original!

Abs,

Gentleman

   
 

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