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Tópico: Plástico ou teflon ?  
fa
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 Postado em 1/12/2005 22:37:00  

Amigos,
Quase sempre presentes nos cronógrafos ditos “top de linha” da atualidade, os movimentos Valjoux 7750 apresentam entre seus componentes uma peça plástica, cuja característica nesse ponto, diz o fabricante (ETA), é dispensar a lubrificação.
Ao invés de trilhar o mesmo caminho e utilizar-se-se do plástico, a Rolex prefere o uso de “engrenagens” metálicas recobertas de “teflon”, garantindo, por sua vez, uma lubrificação mais eficiente e de maior durabilidade.
Considerando o acima anunciado, é de se perguntar o que é mais eficiente, o plástico ou o teflon ?
Pessoalmente, fã declarado da Rolex, acho que a sua solução é mais eficaz e traduz maior confiabilidade que a utilização do plástico !
Estou errado ?
Aos amigos a minha dúvida.
Abraços,






fa
   
Adriano
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 Postado em 2/12/2005 00:38:00  

Humm, depende. Acho que a grande diferença aí é a quantidade de pressão aplicada nas peças. Conforme falei numa discussão há um tempo atrás, a questão da resistência do plástico é o quanto de pressão e atrito a peça sofre. Plásticos não possuem a mesma dureza dos metais.
Apesar da questão da lubrificação ser um argumento para o uso do plástico, há ainda a questão do preço e da resistência mecânica para determinados esforços. O plástico, por sua característica elástica, aceita muito melhor determinados esforços do que os metais.
Cito como exemplo as rodas do calendário de alguns Seiko. O uso de plástico ali é justamente para que aceitem melhor determinados abusos, e também para que se sacrifiquem. Se a pessoa forçar um calendário emperrado, poderá danificar uma série de peças importantes, como a roda das horas. Com o uso de uma roda intermediária do calendário feita de plástico, em primeiro lugar, ela seria mais tolerante com certos abusos. E em caso de abuso extremo, ela se estragaria, poupando rodas mais importantes como a própria roda do calendário e a roda das horas. Logo, neste caso, o motivo não é apenas lubrificação. Embora também seja, pois evita uma lambança de graxa na parte do calendário.

No caso do Rolex, eu até hoje não entendi o uso daquele Teflon, pois não é uma peça submetida a grande esforço, tampouco é uma peça que sofre desgaste significativo. Mas acredito também que o plástico não prestaria para essa aplicação, simplesmente porque é um ponto de grande atrito.

Por isso nesse caso não cabe uma comparação. Seria necessário entender cada aplicação e os motivos para usar um material diferenciado, para aí sim discutir o que seria mais adequado. Se tanto Teflon como Nylon apresentarem um mesmo desempenho numa determinada aplicação, acho que seria uma bobagem optar pelo Teflon, pois só serviria para encarecer tudo. Nem há comparação de preço entre as duas soluções, o Teflon é absurdamente mais caro. Apesar de que ainda assim, eu acho que o mais adequado é o que o fabricante escolheu: em outras ocasiões, há muito tempo atrás, me lembro de comentários questionando e criticando a opção que fabricantes fazem por tal material. Acho que é complicado que leigos critiquem uma decisão de um fabricante que possui dezenas de especialistas que pesquisaram por muito tempo sobre aquele assunto. E de repente aparecer um qualquer, sem conhecimento de causa, e criticar tal coisa.

Compreendo perfeitamente que haja uma repulsa psicológica sobre uso do plástico, respeito tal pensamento. Acho até que é um pensamento natural, especialmente de quem não conhece bem o material e suas características, e dou todo a direito à qualquer um de dizer que não gosta dos plásticos e que torcem o nariz para eles. Mas isso é bem diferente de criticar e questionar o uso deles. Isso eu acho que não tem cabimento, como dizer "Acho que tal marca errou em usar plástico ali, deveria ter usado metal, seria muito melhor". Se isso vier da boca de um mestre relojoeiro, eu aceito, mas de meros mortais como nós... Eu nem me arrisco a tecer tal tipo de crítica, seja qual fôr o assunto. Aprendi isso com minha profissão, que é muito fácil criticar a solução adotada por outra pessoa, sem antes perguntar o motivo dela fazer aquilo daquele jeito, ou pior, sem ter o conhecimento que tal pessoa tem.

Isso tudo é porque é muito mais fácil pensar que tal solução foi à toa. Difícil é tentar entender o motivo de se ter optado por tal solução.

Abraços!

Adriano


Once is an accident. Twice is coincidence. Three times is an enemy action.
   
Lobo
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 Postado em 2/12/2005 06:36:00  

Essa questão psicológica com relação a materiais deve ter também um componente primitivo, desenvolvido no alvorecer da humanidade. Qdo eu descobrí que as balanças da suspensão trazeira dos meus dois carros eram em alumínio fiquei um bom tempo meio "cabreiro"!
[]s, Lobo.

   
flávio
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 Postado em 2/12/2005 12:54:00  

Mais uma coisa: nunca vi uma resposta oficial da Rolex dizendo que aquilo é de Teflon. Essa história começou justamente no famoso artigo do Walt Odets, onde ele detonou o calibre 3000 e o próprio explorer. Será mesmo que é teflon?
Flávio

   
Adriano
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 Postado em 2/12/2005 13:24:00  

Mas isso ocorre por falta de conhecimento. É aquela visão generalista de que plástico é plastico, alumínio é alumínio, por falta de conhecer melhor as coisas. Existem zilhões de tipos de plásticos. O engraçado é que quando por exemplo se fala em armas, as Glock, todo mundo acha o máximo, justamente porque é de plástico (apesar de que muita gente não sabe que é). É muito mais cara que uma pistola normal e eu considero ela perigosa na mão de quem não sabe manusea-la. Pelo fato de não ter trava operável manualmente, já vi um camarada dar um tiro de 9mm na própria perna, a 5 metros de mim, num treinamento de tiro, porque nunca usou uma Glock na vida, foi "ajeitar" o coldre e meteu o dedo no gatilho: a merda disparou, raspou na coxa e atravessou a batata da perna.

Mas voltando ao assunto, existem plásticos e plásticos. Assim como o alumínio. Quem não sabe, acha que alumínio é tudo a mesma coisa, é o mesmo alumínio da latinha de cerveja. O alumínio usado nos carros (bloco do motor, suspensão e etc.) é um alumínio de mesmo "grade" aeronáutico ou militar, ou de quase o mesmo grade: é o mesmo alumínio usado na fabricação de aviões (vão me dizer que não sabiam que avião era feito de alumínio? tem gente que não vai voar nunca mais...), e também de tanques de guerra e outros veículos militares. A resistência desse alumínio é a mesma do aço em todos os tipos de esforços, porém é muito mais leve, e por isso é que é usado em aviões, tanques e etc., por aliar a resistência do aço com um peso bem menor. Os tanques Sheridan da guerra do Vietnam já eram todo de alumínio na blindagem, assim como o veículo M-113. Tem uma parede extremamente grossa de alumínio. Munição .50 não faz nem um risco nessa blindagem, e quiça as 20mm dos helicopteros.

Este é o M-113 (que se eu fosse milionário, compraria um. Sério!)




Vejam aqui um M-113 que foi rachado ao meio por um míssil. Notem a espessura da blindagem: é alumínio.




Parece que fugi do assunto, mas não fugi. É para mostrar que há diferença entre alumínio e alumínio, como há entre plástico e plástico.

Agora, sobre os carros há uma coisa: as suspensões de alumínio não aguentam a porrada que é aqui no Brasil. Não creio simplesmente que seja porque o alumínio é mais fraco que o aço, porque o alumínio de "grade" aeronáutico não é mais fraco que aço. Mas de todo modo, os carros importados tropicalizados ou os montados aqui recebem suspensão de aço mesmo (nem que seja apenas na dianteira), e superdimensionada, o que ocasiona descréscimo de desempenho pelo acréscimo de peso: não apenas o carro anda menos, como não tem a mesma estabilidade em curvas que seus irmãos gringos de suspensão de alumínio.

De todo modo, Lobo, não precisa encucar com a sua suspensão de alumínio. Mas se você morasse no meu bairro, ou em tantos outros de São Paulo, e se fosse a suspensão dianteira de alumínio, provavelmente você teria problemas. Na melhor das hipótese, o alinhamento do seu carro ia durar uma semana. Uma vez por mês lá vai você na oficina fazer alinhamento.

Mas os germânicos, feitos para rodas nas autobahn, só usam alumínio pra todo lado.

Tudo que falei vale para os plásticos: não pensem que qualquer plástico é plástico que se usa pra fazer cestinha de quitanda.

Abraços!

Adriano


PS: concordo com o Flávio, nunca vi nada que garanta isso. Eu já cheguei a pensar se não é alumínio anodizado simplesmente: sendo alumínio, as rodas são mais leves, com menor inércia e melhorando a eficiência do carregamento. Acho que não estou viajando em pensar nessa hipótese.


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jeans
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 Postado em 2/12/2005 13:56:00  

Adriano, eu pensava que as Glocks(não detectáveis) eram de cerâmica! não?

P.S.: Quanto ao tanque, seria legal esperar para ver vc estacionar lá no MASP!

P.S.2: Por acaso vc seria um fã do General Rommel?

[]'s Jean

   
Adriano
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 Postado em 2/12/2005 14:10:00  

Tái um grande mito sobre as Glock: esse mito surgiu no filme "Duro de Matar II", quando "John Mclaine" faz esse comentário ainda no começo do filme. O mito de que é indetectável surgiu numa notícia de jornal. E depois o filme espalhou esse mito na boca do povo.

Aquilo é tudo bobagem: não tem nada de cerâmica tampouco porcelana. O "frame" da pistola (que é o corpo ou chassi) é feito de polímero (plástico), mais resistente e bem mais leve que o aço. Mas só o corpo dela, o resto do mecanismo, incluindo cano, bloco de travamento e ferrolho é tudo em aço.
Além disso, mesmo se fosse toda de plástico, ainda teria a munição, que seria facilmente detectável por um detector e metais. E mesmo descarregada, ela seria detectada num raio-x. Então é tudo mito.
Apenas o corpo delas é de polímero, o resto é como uma arma normal.

Sobre a "raposa do deserto", é um dos maiores de todos os tempos. Mas não sou um fã, principalmente por ser um nazista.

Abraços!

Adriano


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Davi-ES
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 Postado em 2/12/2005 14:57:00  

Ah, o maravilhoso mundo dos materiais... . Vamos ver se eu consigo contribuir para este debate.

1) Glock
Nunca entendi o frisso causado por elas. Mexi numa quando estive na última LAAD aqui no Rio e achei a arma pesada, mal acabada e não me animei com aquele sistema de trava no gatilho, pois achei-o perigoso. Papai Noel querendo me agradar, troco a Glock numa Sig Sauer ou Heckler-Koch

2) Aumínio x aço

Tem que comparar com aplicação. Não dá para dizer genericamente que um é melhor que o outro só porque tem determinada propriedade com valor mais alto (ou mais baixo). Tem liga de alumínio aeronáutico, como por exemplo para trem de pouso, com limite de resistência superior a muitos aços por aí, com a grande vantagem, dita pelo Adriano, de serem mais leves. Só para ilustrar, a liga de alumínio 7750 tem limite de resistência a tração de mais de 70 ksi, enquanto tem aço de aplicação estrutural (chassi automotivo) de menos de 50 ksi.

3) Blindagem

Blindagens de alumínio não estão por aí por causa da superioridade do alumínio em relação ao aço no quesito "aguentar míssil" e sim no quesito peso mesmo. É a mesma coisa do avião. Com os sistemas inteligentes de tiro atuais e a tecnologia de perfuração com projéteis de urânio empobrecido, o sujeito que quisesse projetar um tanque para resistir a "tudo" iria acabar construindo um bunker que não se mexeria. Hoje a filosofia para tanques, navios e etc é ser leve. Isso foi um amigo da marinha que comentou comigo. By the way, a trransferência de momento num tiro desse com urânio emprobrecido é tal que não precisa furar a blindagem para matar a tripulação: o calor gerado no impacto fará isso...

Bem, espero ter ajudado.

Um abraço,
Davi

   
Lobo
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 Postado em 2/12/2005 17:08:00  

Vou doar os carros para uma rifa da Legião da Boa Vontade e nunca mais vou voar de avião.
[]s, Lobo.
Ps.

   
Adriano
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 Postado em 2/12/2005 20:59:00  

Concordo com o Davi: veículos militares de toda espécie são projetados para terem a maior mobilidade possível, não para resistirem a projéteis, pois realmente isso seria impraticável. Aliás, há muito tempo, nos projetos de tanques, já se descobriu que é melhor tentar ricochetear projeteis do que tentar simplesmente segura-los. Bastava acrescentar ângulos à blindagem, e assim, apenas com uma geometria diferente, poderia manter a mesma resistência com uma espessura bem menor, resultando em menor peso.

Abraços!

Adriano


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