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Tópico: Banho de ouro no movimento  
Leonardo
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 Postado em 30/11/2005 06:56:00  

Caros participantes:

Tenho um relógio antigo bastante preciso que estou dando uma revitalizada no movimento (banho de ouro nas pontes) e o relojoeiro não gostaria de desmontar o balanço para dar banho de ouro porque ele, apesar de ter mais de 60 anos, está como veio de fábrica, nunca foi desmontado, é mola espiral breguet, e ele tem receios de não conseguir deixar na mesma marcha ao remontá-lo.

Alguém poderia dar uma sugestão? Esse procedimento é tão arriscado assim?

Saudações,
Leonardo.

   
Alberto Ferreira
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 Postado em 30/11/2005 07:49:00  

Salve!

Leonardo, sob um certo ponto de vista, eu acho que o seu relojoeiro pode até ter uma certa razão.
Mas, eu imagino que ele não esteja se referindo ao balanço em si (o volante) e sim a dar um banho na ponte do balanço, certo?

Uma coisa é dar um banho (ouro, ródio, etc...) nas platinas, pontes e, se for o caso, rotores, etc...
Nas peças mais "delicadas", dependendo da situação e do grau de experiência do profissional, desmontar para permitir o banho pode complicar um pouco, sim.
Mesmo presupondo que o técnico tenha a devida competência, pode haver o "risco" de que ele tenha que gastar "horas" tentando restabelecer a precisão, o que pode ser aquilo que o seu relojoeiro está tentando "evitar".

Eu aproveito o ensejo para fazer um outro comentário.
Um banho, por mais "fino" (ralo) que seja, sempre acrescentará alguns micra à peça. Dependendo da função (não me refiro ao caso das platinas, pontes, etc...) isso poderia, eventualmente, até criar algum problema (dimensional) extra, aqui ou ali.

Por outro lado, e pela mesma razão, eu já vi tentativas até bem sucedidas de "recuperar" uma dimensão de um componente já gasto, por exemplo, caixas/tampas de pressão, furos de ponteiros (frouxos, ou afrouxados), "canos" de coroas (para melhorar a vedação), etc... Voltando a permitir uma montagem que antes era antes impossível, ou deficiente.
Mas, obviamente, tudo o que foi dito aí acima, vai depender do quanto a dimensão será alterada.

Abraços,

Alberto Ferreira
   
Leonardo
Usuário Nivel 4

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 Postado em 30/11/2005 08:09:00  

Obrigado, Alberto. Ele comentou que, pelo fato das ligas antigas serem menos sofisticadas, ele tem receio de, ao desmontar o balaço, a mola breguet se quebre (a liga da mola pode estar seca e, portanto, quebradiça). Na opinião dele, relógio antigo com boa marcha não se meche no balanço.
O máximo que eu vou tentar é conseguir um balanço em melhor estado.
Saudações,
Leonardo.

   
Alberto Ferreira
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 Postado em 30/11/2005 08:15:00  

"...relógio antigo com boa marcha não se meche no balanço."

Concordo.
Isso pode mesmo ser, no mínimo, prudente.

E imagine a sua decepção, se acontecer um "acidente" com a espiral...

Alberto Ferreira
   
fa
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 Postado em 30/11/2005 08:17:00  

Banho de ouro em movimentos em relógios é coisa que por conta da F.A. Watches , tenho mania de fazer.
Para "banhar" de ouro um movimento, deve ser enviado ao ourives apenas a platina. E por que ? Porque se mandar o movimento inteiro, vai entortar o balanço todinho , porque durante o processo a temperatura da solução com ouro se eleva muito.
As outras engrenhagens devem ser enviadas em separado, também, e as vezes, como falou o Alberto, elas precisam de novos ajustes, haja vista a camada aurífera acrescida.
Já aconteceu comingo também, durante o banho de ouro, o descolamento dos rubis.
Estou sem muito tempo pra escrever, mas é isso aí.
Abraços,


fa
   
Adriano
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 Postado em 30/11/2005 12:46:00  

Eu concordo com o que foi dito, e sendo antigo, não recomendaria mexer. Apesar de que desconheço que a espiral sofra algum envelhecimento desse tipo, que a torne quebradiça. Também penso que desmontar um balanço, ainda mais se feito por um profissional, não altera em nada os parâmetros. No máximo, será necessário acertar denovo a batida (algo absolutamente normal) e regular a marcha.

Em outras peças como rodas, eu não recomendaria, pois com certeza alteraria as dimensões de partes onde 0,05mm é a diferença entre funcionar e não funcionar. A temperatura a que a peça é submetida também acredito ser nociva.

Sobre os rubis descolarem, como eles são na verdade colocados sob pressão, e não colados, acredito que tenham se soltado pela dilatação causada pelo aquecimento durante o banho.

Abraços!

Adriano


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