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Tópico: Dúvidas sobre lubrificação!!  
Adriano
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 Postado em 16/12/2004 03:12:00  

Salve!

Pessoal, tenho umas dúvidas aqui, para o pessoal que manja desse parte, e para os profissionais, como o amigo Wilson. Para facilitar, dividi as dúvidas em duas partes.

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Parte 1:

Os manuais dos ETA não indicam lubrificação nos pivôs da âncora, ou seja, a âncora trabalha sequinha. E para os rubis (pallets) da âncora, recomendam óleo apenas no de saída (conforme aponta também o site indicado pelo Flávio recentemente). Já os manuais da Seiko apontam para a lubrificação dos pivôs da âncora, e apontam para lubrificação de ambos os pallets da âncora. Então lá vai:

- Afinal, como os profissionais costumam fazer: lubrificam os pivôs da âncora ou não?

- Caso sim, colocam o óleo direto nos pivôs, ou montam a âncora e lubrificam os rubis?

- Parece-me que o usual é lubrificar os pivôs, pois lubrificar os rubis pode ser exagero de óleo. É esse mesmo o motivo?

- Rubis das âncoras: lubrifica-se ambos, ou só o de saída?


No caso da resposta definitiva ser inpossível, o que faço?

- Adoto um padrão e sigo tanto nos Seiko como nos ETA?

- Sigo os manuais: lubrifico a âncora no Seiko e deixo a do ETA sequinha?


Me parece muito estranho não lubrificar a âncora... ainda mais porque tenho duas sucatas suiças aqui com um puta jogo na âncora. Mas, acho que o fabricante deve saber o que diz né?
Mas, que deixar a âncora seca deixa uma pulga atrás da orelha, ah, isso deixa! Ver aquele trocinho mexendo de um lado pro outro, num pau só, sequinho...



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Parte 2:

No lado do calendário, a platina possui uns ressaltos, uma espécie de pequenos platôs, em forma de anel, em cima dos quais giram a maioria das rodas, como a roda do calendário, a roda dos minutos e outras. O platô pode ser largo ou estreito, como um filete. Certamente a idéia é diminuir o atrito com a platina, reduzindo a área de contaro entre a roda e a platina. Vejam aqui o tal platô, apontado pelas setas:




Agora minha dúvida é: devo ou não lubrificar esses tais platôs?
Pergunto pelo seguinte: sempre pego relógios com marcas ou manchas pretas na parte debaixo das rodas, exatamente na direção, formato e largura exatos dos platôs, que indicam que ali houve óleo um dia, e que secou por contaminação ou se espalhou. Portanto, indicando que é prática comum lubrificar esses pontos. Tanto que chegam a manchar, que só sai esfregando com uma escovinha e solução Araújo. Em outros casos, é comum ver esse platô gasto, com o banho desgastado pelo atrito, dando para ver o latão amarelo da platina.

No entanto, nenhum manual aponta lubrificação nesses pontos. Então, por que os relojoeiros usam óleo ou graxa (dependendo da roda que fôr) ali? Ou ainda, se há desgaste claramente visível nesses pontos, por que os manuais não indicam a lubrificação ali?

Tenho duas hipóteses: ou os relojoeiros estão corretos e ao perceberem desgaste ali, naturalmente passaram a lubrificar esses pontos. Ou então, é a lubrificação que causa esse desgaste: o óleo ou graxa acaba se contaminando com sujeira e se torna uma meleca abrasiva que acelera o desgaste, fenômeno este que é conhecido, e por isso mesmo, os fabricantes não recomendam a lubrificação desses pontos.

E aí, o que acham?
Agradeço desde já!

Abraços!

Adriano


Once is an accident. Twice is coincidence. Three times is an enemy action.
   
flávio
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 Postado em 16/12/2004 20:51:00  

A questão de lubrificação ou não dos pivôs da âncora é polêmica, pois, nos movimentos pequenos, o óleo, por mínimo que seja, pode travá-la. Regra: movimentos pequenos, menores do que 8 linhas: sem lubrificação. Maiores do que isso, com lubrificação. Como? Pegue o menor pica óleo e pingue uma gota de óleo do porta óleo; limpe o pica óleo e "pique" essa gota. A quantidade é essa, em cada pivô.
Quanto à lubrificação do lance do calendário, parece-me que o local é semelhante ao da roda do tambor (a outra, que fica ao lado...fugiu o nome). Mas essa roda é submetida a tensões. Essa do calendário gira como? Uma vez a cada 24 horas? Se for, acho que nem precisa de óleo. Ela é feita de que?
Flávio

   
Adriano
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 Postado em 16/12/2004 23:26:00  

Flávio, obrigado pela resposta. Entendi sobre a âncora. Então em calibre pequenos (< 8'''), dispenso o óleo nos pivôs da âncora. E nos maiores, lubrifico diretamente os pivos, com bem pouco óleo. Tenho aqui um pica óleo especial, que é só uma agulha bem fina, que carrega bem pouco óleo (invisível, parece que ele nem pega óleo). Uso para colocar óleo nos pallets.

É este dourado da foto: repare na agulha na ponta:



Posso usá-lo para depositar apenas um filme de óleo nos pivôs.

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Sobre o troço do calendário, no caso da imagem que apontei, apontei o ressalto para a roda dos minutos. Veja aqui, talvez fique mais fácil:







Um é um Seiko 7005, outro é um 7S26. Repare os ressaltos para a roda do calendário, para a roda dos minutos e roda das horas. Repare, no 7005, os ressaltos são fininhos, só um filete. No 7S26, são mais largos. É isso que me refiro: as respectivas rodas deslizam sobre esse ressalto. Aí pergunto: lubrifico ou não esse tal ressalto? Nenhum manual recomenda, mas vejo esses pontos desgastados e sempre vejo sinais de lubrificação nesses ressaltos (e no verso das rodas), mesmo na roda do calendário (graxa nesse caso), que gira lentamente.
Os relógios que já revisei eu lubrifiquei o ressalto do calendário com graxa, em quantidade microscópica, apenas para deixar a superfície brilhando. E também lubrifiquei os ressaltos da roda dos minutos com Moebius 9020.
Basta colocar um pouquinho e girar a roda que ela já espalha no lugar certo.

E é essa minha dúvida: não sei se devo ou não, pois os manuais não apontam, mas os relojoeiros parecem praticar.

Abraços!

Adriano


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Alberto Ferreira
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 Postado em 17/12/2004 00:08:00  

Salve!

Adriano, eu concordo com o Flávio, a lubrificação da âncora é um assunto polêmico mesmo.

No curso que eu fiz, a instrução era (eu acabei de rever as minhas anotações):
"Nunca lubrifique os pivôs da âncora". Está anotado e grifado.
Mas, eu também já vi instruções exatamente como as que o Flávio deu.

Um outro "não faça" que nos ensinaram no curso foi:
"Não se lubrificam os pinhões das engrenagens".
As engrenagens devem ser lubrificadas (os rubis) à medida que vão sendo montadas (técnica suíça).

Com relação aos calendários, nada específico nos foi ensinado, mas eu também já constatei vestígios de graxa (muito pouca) por lá.

Um abraço,

Alberto Ferreira
   
Adriano
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 Postado em 17/12/2004 00:49:00  

Pois é, a ETA não recomenda óleo nos pivôs nem mesmo no Unitas 6487, que é um calibre de 16 1/2'''.

Assunto polêmico esse. Não sei como prosseguir. Gostaria de ouvir os argumentos de cada um, dos suiços, que não recomendam a lubrificação, e dos japoneses, que recomendam.

Abraços!

Adriano


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flávio
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 Postado em 17/12/2004 10:58:00  

Agora entendi qual a roda. Roda de minutos não são lubrificadas, pelo menos nos esquemas que tenho aqui.
Esqueci de responder quanto às levees. Coloque óleo no rubi de entrada, gire cinco dentes da roda, pique mais um pouco de óleo, gire de novo, e gire de novo. O óleo vai ficar espalhado por toda a roda. Aliás, qual a diferença em colocar no rubi de entrada ou saída? Tudo vai se espalhar pela roda! Mas é o que os livros dizem.
Não tenho esse pica óleo dourado como o seu. O menor que possuo é o preto, então, tinha que fazer o que eu disse.
Flávio

   
Adriano
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 Postado em 17/12/2004 16:29:00  

Antes de comprar esse jogo aí, eu usava o preto, aplicando óleo com a haste, quando queria uma quantidade bem pequena. Esse pica óleo aí serve também para lubrificar contrapedra sem desmontar, naquele esquema de colocar o óleo e "furar" a tensão superficial para que ele entre entre o rubi e a contra pedra.

Sobre as levees, tem certeza que é no rubi de entrada? Não é no de saída? Os manuais da ETA apontam o de saída de aquele site que você postou esse dias também. O cara até explica o motivo de não aplicar no de entrada.

Abraços!

Adriano


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flávio
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 Postado em 17/12/2004 17:11:00  

Acho que está ocorrendo uma confusão nas nossas terminologias. Olhando a âncora de frete, o óleo deve se picado na levee da esquerda (as levees estão viradas para você), na parte de dentro. Isso é a levee de entrada, não saída, pelo menos na minha memória.
Flávio

   
Adriano
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 Postado em 17/12/2004 18:06:00  

Mas o termo levee de entrada e saída independe do ponto de vista. A roda de escape sempre gira para o mesmo lado, então, a levee de entrada é aquela por onde os dentes passam primeiro e "entram" entre as duas levees. A de saída, como o nome diz, é aquela onde os dentes passam e "saem" do espaço entre as levees. Olhando o movimento de cima, pela frente (que é o lado do fundo do relógio), a roda de escape gira no sentido horário, e a levee de saída é a da direita, se olhar a âncora com as leves apontadas na sua direção.

Abraços!

Adriano


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Alberto Ferreira
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 Postado em 17/12/2004 18:07:00  

Sim!
Na levée de entrada.

E dizendo o que o Flávio já disse, mas de uma outra forma, a levée de entrada é a que fica à direita da âncora, olhando-a de cima em sua posição de trabalho, portanto, com o dardo para baixo.

Um abraço a todos,

Alberto Ferreira
   
 

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