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Tópico: Resenha de mais dois livros que comprei: Chronometers e Chronographs  
flávio
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 Postado em 19/11/2005 16:54:00  

Ambos os livros são da Shieffer, que tem uma qualidade de papel e encadernação muito boas. O problema é que ambos os livros foram escritos em meados na década de 90...Se fosse hoje, talvez tivessem fotos melhores e algumas atualizações.

O Chronometer aborda os diferentes testes feitos pelos observatórios e agências oficiais e possui informações interessantes, muito embora elas somente ocupem 50 ou 60 páginas de um livro de quase 300. O resto é ocupado por fotos de relógios, piores do que as que vemos na net. Concordo com o Igor quando ele diz que tudo que está nos livros - diria, muito mais do que está nos livros - pode ser econtrado na net. É certo. Porém, a mídia escrita do livro ainda é insubstituível e continuo a comprar livros, de tudo! Vale 78 dólares? Sei lá, é muita grana para um livro. Mas se compararmos com os preços absurdos cobrados em livros com muitas fotos no Brasil, até vale.

O Chronographs já foi comentado aqui pelo Bruno Rechia ou pelo Wilson, acho, que o possuem. Apenas o comprei porque a Amazon deu desconto, e ficou por 53 dólares.
A questão das fotos é a mesma do Chronometers: podiam ser melhores, e o livro é antigo. Mas ele tem muito material, muito mais do que o acima, como quase 100 páginas escritas de teoria de cronos. Muito legal, ainda não acabei de ler. Só uma crítica, e os que possuem o livro, por favor, não digam que sou burro: vá começar com um capítulo complicado assim lá no inferno! O livro começa - e gasta umas 10 páginas nisso - falando sobre "magnetostriction". E vocês acham que falam apenas pragmaticamente? Não! Há um monte de fórmulas blá blá blá Confesso que entendi o princípio mas depois não entendi ^*^%&*&* nenhuma! Poderia ser o último capítulo. Depois melhora. Acho que esse livro valeu mais do que o Chronometers.

Ah! Por falar em magnetostriction, os engenheiros elétricos daqui poderiam dar a tradução em português para a palavra? Outra coisa: em termos práticos, o que produz uma corrente magnética de 1000 oersted? (sei lá se é assim que escreve, não vou pegar o livro)

Flávio

   
GS
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 Postado em 19/11/2005 17:50:00  

magnetostriction=magnetostricção. è um fenômeno que ocorre, por exemplo, nos tranformadores da rede elétrica de energia. O núcleo do tranformador fica sujeito a uma vibração mecânica de aproximadamante 2Xa frequência da rede elétrica, ou seja 120Hz.Porém geralmente qdo se trabalha com frequência acaba "aparecendo" subfrequências múltiplas (harmônica) de 120Hz como 240, 480, 960Hz......estas em intensidade cada vez menores. A vibração na verdade é um produto da superposição destas hamônicas. O transformador nada mais é do que 2 bobinas intependentes com um mesmo núcleo (este auxilia na redução das perdas) a energia elétrica é transformada em magnética por uma bobina e esta energia é "captada" pela outra bobina. Hans Christian Oersted foi o homen que descobriu que uma corrente elétrica produz um campo magnético.
Não sei exatamente o que isso tem a ver com relógio, mas acho que quem algo a ver com alguma vibração indesejada que surge no rélógio causada por uma "interferência eletromagnética, e que deve alterar o funcionamento do mesmo.

Os Engenheiros elétricos por favor me corrijam se eu escrevi alguma bobagem


Abraços

Alea jacta est
   
Alberto Ferreira
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 Postado em 19/11/2005 18:10:00  

Salve!

Flávio, a palavra em português é magnetostrição.

De forma sintética, seria a capacidade de um material ferromagnético aumentar de volume em função do grau de magnetização.

A unidade oersted (Oe) mede a "força" de um campo magnético.
Seu nome é uma homenagem a Ørsted, o físico dinamarquês que descobriu o eletromagnetismo no início do século 19.

Como, na prática, se consegue tal campo?
Bem,...
Aí eu deixo a bola para os colegas mais afeitos à área.

Abraços,

Alberto Ferreira
   
fa
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 Postado em 19/11/2005 18:13:00  

Ah, se esses livros não tivessem tantas letras...
Abraços,

fa
   
Lobo
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 Postado em 19/11/2005 19:45:00  

Na prática mesmo?Hummm...
Já sei! Uma nave espacial.
[]s, Lobo.
Ps. Ou talvez um adolescente batendo uma p......!

   
HumbertoReis
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 Postado em 19/11/2005 20:23:00  

Ei, a história dos harmônicos serem múltiplos da freqüência fundamental já sabia da foniatria...

Tá bom, tá bom, estamos só enchendo o Flávio, né?


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Humberto Reis
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Adriano
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 Postado em 19/11/2005 23:08:00  

A magnetostricção relacionada aos relógios eu já expliquei aqui certa vez. É o fenômeno que ocorre com as espirais autocompensadoras, compensando o efeito da temperatura. A temperatura altera o magnetismo interno do material que compõe a espiral de maneira compensatória: o aumento de temperatura aumenta a rigidez da espiral, compensando sua natural dilatação. A queda da temperatura "amolece" a espiral, compensando sua retração. Nem é algo complicado, visto por cima.
Comento sobre esse fenômeno na minha matéria da Pulso de Novembro/Dezembro, que já deve estar chegando às bancas.

Abraços!

Adriano


Once is an accident. Twice is coincidence. Three times is an enemy action.
   
flávio
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 Postado em 20/11/2005 08:34:00  

Deixe eu desenvolver um pouco mais o que o Adriano falou, para que os leigos (como eu) entendam pelo menos o princípio.

Todo material ferromagnético, se submetido ao magnetismo, tem tendência a alterar sua forma. É como se um imã puxasse o material e ele esticasse. Duas coisas, portanto, sempre afetaram a precisão dos relógios mecânicos: a temperatura, que dilata ou encolhe o metal, e a magnetostrição, que também faz a mesma coisa. A espiral era afetada pelos dois fenômenos. O livro aborda a evolução do materiais da espiral. Explica, por exemplo, como o Invar e mesmo o Elinvar eram excelentes como materiais não afetados pela mudança de temperatura, mas afetados pela magnetostricção. O sucessor de Guillaume (não vou pegar o livro), então, baseado nos estudos de ligas, pensou o seguinte: ora, se com o aumento da temperatura o corpo se dilata, e se criarmos uma liga que, com o aumento da temperatura, se "encolha" pela magnetostrição com o aumento da temperatura? O material ficaria invariável, pois o esticamento causado pelo aumento da temperatura seria compensado pela diminuição, através do mesmo aumento de temperatura e magnetostriçào. A liga criada, Nivarox, atua assim. Com o aumento de temperatura, o corpo se expande; só que o mesmo aumento de temperatura causa um encolhimento pela magnetostrição. Ela praticamente não varia com temperatura e também não é muito afetada pelo magnetismo (aguenta 1000 oersted). Só que o livro aborda passo a passo como chegaram na liga e...Em síntese, é meio complicado para pessoas com formação em humanas.
Flávio

   
HumbertoReis
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 Postado em 20/11/2005 11:24:00  

Putz, quanta ciência!

Explicação pra lá de pedagógica, Flávio.
Entendi perfeitamente.


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